senta-te aqui, aproxima-te. olha bem para mim, atravessa o meu olhar sem medos e sem preconceitos, recolhe a tua alma e deixa-me recolher a minha. ouve apenas a minha voz e sente-a através do teu coração. não, não oiças os ruídos lá fora, nao oiças o vento porque esse vai levar as minhas palavras com ele. dá-me a tua mão, vou colocá-la junto ao meu peito e vais sentir o bater do meu coração. agora que já sentis-te ... ouve. estás a ouvir? é este o som do meu coração a bater contra a minha pele. é este o som de uma luta silenciosa. quero alterar este som pela melodia da tua voz.

a vida tem dessas coisas. e eu nao gosto de despedidas. mas também nao gosto de partidas sem despedidas. refiro-me a ti, que ainda hoje, e já lá vai o tempo, nao sei se partiste, ou se te despedis-te de uma forma que eu nem pudesse perceber. apenas dei por mim sem ti, de um momento para o outro, num estalar de dedos, num abrir e fechar de olhos. dou por mim a pensar se me abandonas-te mesmo. porque ver-me sem ti, era algo que há muito que nao estava habituada. voltei a sofrer no silêncio do meu quarto, neste espaço apertado entre a secretária e a parede, este que tão bem conheço. confesso que já tinha saudades de cá estar.. ainda espero aqui, e até hoje ainda nao me deste respostas. e o meu coração desde que caiu, que está desejando de voltar ao sitio implorando por ti.
vou ficar aqui , até me cansar de esperar.

acho que nasci para sentir. sempre fui muito intensa, quase exagerada. em vez de sangue, tenho drama correndo nas veias. a minha vida sempre foi assim, apesar dos tombos, apesar das cabeçadas, apesar de muitas desilusões, gosto de viver assim, talvez por já estar habituada, nao sei. por causa desta minha forma de viver, sempre bati muito com a testa na parede. e sempre doeu (e ainda dói) . mas dói de uma maneira bonita.


eu já nao encontro maneira de explicar o que sinto, já nao encontro razão para as tuas atitudes, já nao sei o que é o teu beijo doce e o teu abraço quente e apertado, tambem já nao sei o que é sentir o teu amor. e isto tudo leva-me a que me perca , em ti, mas principalmente em mim. querer-me encontrar e não puder, querer tentar descobrir quem sou e nao conseguir, olhar-me ao espelho e sentir-me vazia por dentro, nao encontrar felicidade em quase nada do que faço, abala-me. machuca-me. corrói-me. sinto-me triste quando me procuro nas outras pessoas , porque ja nao encontro nada meu, em mim. isto tudo se deve à dor que estás a deixar dentro do meu pequenino coração, está a martirizar-me a alma
disses-te que me ias fazer feliz para o resto da vida, e que me ias aguentar para além de todas as minhas chatices, onde estás agora?

algumas coisas nao servem mais. você sabe. porque ocupar o coração com alguém que nao lhe serve é como guardar roupa velha dentro de uma gaveta. perda de tempo, paciência, sentimento, e principalmente de espaço. tem tanta gente, por aí querendo entrar. deixa. deixa entrar , na vida no coração e na cabeça.





cá estou eu de novo, desculpa a demora .
assim que voltei caí sobre a colcha branca da cama, onde repousei todo o meu espírito e todo o meu corpo, ambos exaustos. sei o que sinto, sei o que quero, sei o que me cansa, mas não te consigo explicar nada, ou és mesmo tu que não queres perceber. e isso deixa-me confusa e eu não gosto nada disso, mas estou agora. quero que a voz da razão salte do meu peito, quero que chegue o dia em que te fecho a porta, para sempre. gosto de te amar , mas não te quero amar. quero-te eliminar do meu pensamento e do meu coração, mas não te quero esquecer porque trazes à minha memória tudo o que melhor esta possuí, tudo o que não me arrependo de ter vivido. quero ser capaz de respirar, de andar, de sorrir e de amar, sem me lembrar que és uma das grandes razões para que tudo isso, exista em mim. quero que o meu coração desista do teu, mas ele nao me ouve , nem me obedece.
e cá estou eu de novo, tão exausta, tão cansada, tão farta, tão eu.






e quando olhamos para trás e vemos que demos tudo por alguém, que não deu nada por nós? que lutámos por alguém que só nos fez sofrer e que nem se importou com os nossos sentimentos? quando damos por nós a pensar que nunca desistimos de alguém, que á primeira oportunidade desistiu de nós? e quando pensamos que estivemos sempre do lado de alguém, que quando nos abandonou nem olhou para trás? que as coisas só fazem sentido com um alguém, que nem sequer se importa com a tua mera existência? pois é. naquele momento tiraste-me tudo, a respiração falhou, o meu mundo desabou, caiu. senti cada batimento do meu coração pulsando contra a minha pele, tão rápido, porque ele queria sair do sitio e mostrar por quem ele bate. os meus sentimentos chegaram a não caber mais em mim, e eu já nao estou a aguentar. é triste, sufocante, doloroso e cortante , como uma faca sendo cravada no meu peito.